NOTÍCIAS - 17/09/2026

Caixa apresenta proposta com mudanças no plano de saúde, remuneração e condições de trabalho

A Caixa Econômica Federal apresentou uma nova proposta ao movimento sindical na madrugada desta quinta-feira, 17 de setembro, durante a greve dos empregados. A negociação começou na quarta-feira (16), em São Paulo, com o Comando Nacional dos Bancários, assessorado pela Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa).

O texto reúne regras para o Saúde Caixa, mudanças na remuneração variável e compromissos de discussão sobre carreira e condições de trabalho. A proposta será submetida aos empregados em assembleias previstas para segunda-feira (21), das 11h às 18h, por plataforma de votação eletrônica.

A proposta mantém o Saúde Caixa no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), com modelo solidário e pacto intergeracional, sem mensalidades diferenciadas por faixa etária dos titulares. Para 2026, prevê a manutenção das mensalidades e a cobertura do déficit pela Caixa.

A partir de 2027, o limite da participação do banco no custeio passaria de 6,5% para 9% da folha de pagamento. A diferença corresponde a 2,5 pontos percentuais, ou aproximadamente 38,5% de aumento no teto de participação.

Para os beneficiários, os valores apresentados para vigência a partir de 1º de janeiro de 2027 são:

A partir de 1º de janeiro de 2027, a contribuição mensal proposta para o titular será de 3,7% da remuneração-base. Para cada dependente direto, o valor será de R$ 560. Para dependentes indiretos, filhos de 21 a 24 anos, a mensalidade será de R$ 660. Já para filhos de 24 a 27 anos e pais e mães remanescentes, o valor será de R$ 900 por beneficiário.

A proposta informa limite de 9% para o grupo familiar formado pelo titular e dependentes diretos. A tabela divulgada também estabelece contribuição mínima de R$ 50 por vida e indica que pais, beneficiários judiciais e filhos de 24 a 27 anos ficam fora do limite de renda.

Nas consultas de pronto atendimento, a cobrança proposta passou de R$ 150 para R$ 120 em relação à oferta anterior. Esse valor ficará fora do teto de coparticipação. A telemedicina continuará isenta de coparticipação.

A tabela apresenta ainda teto de coparticipação de R$ 4.700, recadastramento anual obrigatório e abertura de um período de 90 dias para adesão de titulares que estão fora do plano. Também menciona impossibilidade de reingresso, sem detalhar, no material divulgado, como essa restrição será aplicada em relação à janela de adesão.

A Caixa aceitou destinar pelo menos um empregado por Gerência de Pessoas (Gipes) e por Representação Regional de Pessoas (Repes) para atuação exclusiva no Saúde Caixa.

Está prevista a criação, em até 60 dias, de um grupo de trabalho para discutir o modelo de gestão do plano, incluindo governança, estrutura, prestação de contas e outras fontes de receita.

Também foram anunciadas negociações mensais, com calendário previamente definido, para tratar do Saúde Caixa e da isonomia de direitos entre grupos de empregados contratados em períodos distintos. A agenda incluirá carreira e remuneração, com discussões sobre o Plano de Funções Gratificadas (PFG), o Plano de Cargos e Salários (PCS), processos seletivos internos e remuneração variável.

Representantes do movimento sindical relacionaram as alterações na proposta à mobilização dos trabalhadores e destacaram a manutenção do pacto intergeracional e a mudança no limite de participação do banco.

A proposta altera os critérios de habilitação no programa. Para os empregados, será considerado o indicador individual de Negócios Sustentáveis (NS), em lugar da nota da unidade. Quem não tiver NS individual calculado continuará vinculado ao resultado da unidade. O gestor-chefe permanecerá sujeito aos indicadores da unidade.

O indicador de satisfação do cliente (CSAT) deixará de ser aplicado individualmente aos demais empregados, permanecendo aplicável ao gestor-chefe.

A habilitação inicial passará a assegurar 50% da premiação, ante os 25% previstos anteriormente. A possibilidade de atingir 100% do valor da remuneração dependerá da evolução nos marcos de desempenho de cada dimensão do Alcance.Caixa.

O banco também se comprometeu a atualizar mais rapidamente as vendas e os resultados no painel. Quando o registro não puder ser imediato, deverá ocorrer em até D+5, contado a partir do pagamento realizado pelo cliente.

Uma comissão avaliará recursos e situações individuais. A Caixa informou que todos os recursos são analisados, mas reconheceu que o volume de solicitações pode gerar demora nas respostas.

Para o próximo ano, foram apresentados quatro compromissos:

• Divulgar o regulamento no início de janeiro.
• Estudar a inclusão de novos produtos para fins de premiação.
• Revisar a metodologia de avaliação da satisfação dos clientes e de negócios sustentáveis, no varejo e no atacado.
• Rever as regras de gatilho, com escalonamento das faixas de premiação.

Esses pontos envolvem estudos e revisões, cujos resultados ainda dependerão das etapas anunciadas.

O movimento sindical apresentou preocupações com o atendimento híbrido. Sobre Figital e Genesys, a Caixa informou que não haverá penalização em 2026 e que o intervalo atualmente considerado, de cinco minutos, deverá passar para dez minutos em 2027.

Segundo o banco, o indicador não será utilizado no Alcance.Caixa. O projeto continuará em fase piloto e sob avaliação, com compromisso de discussão com as representações dos empregados antes da definição do modelo para 2027.

A Caixa se comprometeu a abrir espaços de discussão sobre carreira e PFG, incluindo um grupo paritário para debater o Plano de Funções Gratificadas.

Quanto aos empregados de Tecnologia da Informação, o banco informou que o estudo de um piso salarial específico foi incorporado ao trabalho desenvolvido pela Deloitte. A proposta divulgada não apresenta valor para esse piso.

O trabalho remoto será discutido no GT Trajetória. A Caixa informou que pretende organizar reuniões específicas, com cronograma e prazo para conclusão dos debates sobre mudanças no modelo existente.

Foi mantida a proposta de prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado, vinculado à superação do Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026. Segundo as informações apresentadas na negociação, esse indicador já havia sido alcançado em junho.

O texto prevê a manutenção dos direitos previstos nos acordos coletivos específicos e na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), além dos demais pontos negociados durante a Campanha Nacional dos Bancários de 2026.

Caso a proposta seja aprovada, a paralisação de 20 de agosto será abonada. Já os dias úteis de greve deverão ser compensados em até 180 dias.

A aprovação até 21 de setembro é a condição informada para que PLR, Super Caixa, Bônus e prêmio de R$ 3 mil sejam pagos em 30 de setembro. A decisão sobre a proposta caberá aos empregados nas assembleias.

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