NOTÍCIAS - 22/07/2026

Fenaban parte para o ataque com ameaças a categoria

A quarta rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada na terça-feira, 21 de julho, terminou sem avanços e foi classificada pelo movimento sindical como uma das piores mesas da campanha até agora. Em vez de apresentar respostas às reivindicações da categoria, a Federação Nacional dos Bancos, Fenaban, adotou uma postura de confronto, com ameaças à mesa única de negociação, às cláusulas de saúde já garantidas na Convenção Coletiva de Trabalho e ao próprio prosseguimento do debate.

A reunião, que deveria discutir saúde, condições de trabalho e alternativas para o endividamento dos bancários, foi marcada por sucessivas interrupções, questionamentos aos dados apresentados e tentativas de desviar a discussão sobre as causas do adoecimento da categoria.

O primeiro ataque foi contra a mesa única, uma conquista histórica que garante a negociação conjunta dos direitos dos trabalhadores dos bancos públicos e privados. O negociador da Fenaban, Adauto Duarte, ameaçou separar as negociações, alegando a existência de divergências entre as entidades representativas. A proposta foi imediatamente rejeitada pelo Comando Nacional dos Bancários e chegou a ser questionada pelos próprios representantes dos bancos públicos presentes na reunião.

Para o movimento sindical, a tentativa de divisão representa um grave retrocesso e tem como objetivo enfraquecer a organização nacional da categoria. Foi por meio da unidade entre trabalhadores dos bancos públicos e privados que os bancários conseguiram preservar direitos, enfrentar períodos de reajuste zero, resistir aos ataques contra as empresas públicas e garantir uma Convenção Coletiva válida nacionalmente.

Na discussão sobre o endividamento, a Fenaban também se recusou a apresentar uma solução efetiva. Na rodada anterior, o Comando Nacional havia proposto a criação de um programa específico, com juros reduzidos e melhores condições para que bancárias e bancários pudessem renegociar suas dívidas. Contudo, os bancos rejeitaram a criação de um “Desenrola Bancário” e apresentaram dados para sustentar a tese de que a categoria não enfrentaria um problema relevante de endividamento. O movimento sindical contestou a argumentação e destacou que, entre os cinco maiores bancos, já existem taxas diferenciadas, sendo possível oferecer à categoria as menores condições praticadas.

A única alternativa apresentada pela Fenaban foi encerrar rapidamente a campanha, com a possibilidade de conclusão das negociações até 15 de agosto, e antecipar o pagamento da primeira parcela da Participação nos Lucros e Resultados, PLR. Para o Comando, antecipar a PLR não resolve o problema das dívidas nem substitui uma política permanente de juros menores, especialmente porque a pressão financeira agrava o estresse, a ansiedade e o adoecimento dos trabalhadores.

O cenário ficou ainda mais grave durante o debate sobre saúde e condições de trabalho. O Comando Nacional apresentou dados do INSS, de organismos oficiais e da Consulta Nacional dos Bancários 2026 para demonstrar que o adoecimento não é um problema individual, mas resultado de um modelo de gestão baseado em metas abusivas, pressão permanente, sobrecarga, assédio e medo do desemprego.

Em 2024, a categoria bancária representou 25% dos afastamentos acidentários por transtornos mentais registrados pelo INSS, enquanto as doenças mentais já respondem por mais da metade dos afastamentos entre bancários. Na consulta realizada com quase 55 mil trabalhadores, 40% disseram ter utilizado antidepressivos, ansiolíticos, estimulantes ou outros medicamentos controlados no último ano, e 73% afirmaram que o ambiente de trabalho prejudica a saúde mental. Entre os impactos da cobrança excessiva de metas, 67% relataram preocupação constante com o trabalho, 59% cansaço e fadiga, 47% desmotivação e vontade de não trabalhar, 42% crises de ansiedade ou pânico, 39% dificuldades para dormir e 24% medo de perder o controle. Diante desse quadro, a categoria reivindica o fim das metas abusivas, combate ao assédio moral, organizacional e algorítmico, limites à vigilância digital, acolhimento pelos serviços médicos, proteção da remuneração durante os afastamentos e implementação das normas NR-1 e NR-17, com participação dos sindicatos no mapeamento dos riscos psicossociais.

Mesmo diante das evidências, a Fenaban questionou os números oficiais, negou a relação entre a organização do trabalho e o adoecimento e criou sucessivas polêmicas para travar a negociação. Na prática, a postura dos bancos voltou a colocar trabalhadores adoecidos sob suspeita, como se os afastamentos fossem resultado de fraude ou de fragilidade individual, e não das metas inalcançáveis, da pressão, do assédio e da sobrecarga existentes no ambiente bancário.

A Fenaban chegou a ameaçar retirar todas as cláusulas de saúde já conquistadas na Convenção Coletiva e ameaçou interromper o debate ao se dizer ofendida com a afirmação de que os bancos estão entre os ambientes que mais adoecem trabalhadores. Após novos pedidos de intervalo, a representação patronal concordou em retomar a discussão sobre saúde no dia 30 de julho, quando também serão debatidas as cláusulas econômicas. Em resposta aos ataques, o Comando Nacional convocou um Dia Nacional de Luta e Mobilização para 28 de julho, em defesa da mesa única, das cláusulas de saúde e de condições dignas de trabalho para toda a categoria.

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