NOTÍCIAS - 16/04/2026

Itaú e Bradesco fecham agências e atacam o movimento sindical

A tentativa do Itaú de barrar novamente a atuação do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana dentro de suas agências marcou de forma grave a mobilização realizada nas unidades 0443 do Itaú e 3516 do Bradesco, localizadas na avenida Conselheiro Franco. Ao impedir o acesso de dirigentes sindicais às áreas internas para a distribuição do jornal O Bancário e o diálogo com os trabalhadores, o banco realizou mais uma postura antissindical inaceitável, baseada na intimidação e no desrespeito ao direito de organização da categoria.

O episódio ocorreu ao final de uma manhã de manifestações promovida pelo sindicato contra o Itaú e o Bradesco, em denúncia às demissões, ao assédio moral, ao fechamento de agências, à sobrecarga de trabalho e à precarização do atendimento à população. Depois do ato, os dirigentes seguiram para as unidades da Conselheiro Franco com o objetivo de conversar com os bancários e entregar o material informativo da entidade. No entanto, na agência 0443 do Itaú, foram novamente impedidos de acessar as áreas internas. Em seguida, a mesma prática se repetiu na unidade da avenida Getúlio Vargas, onde o banco bloqueou a presença sindical dentro do local de trabalho.

A reação da direção sindical foi imediata. Em fala dirigida aos trabalhadores dentro da agência, o presidente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, Eritan Machado, repudiou a conduta do banco e reafirmou a legitimidade da atuação da entidade: “Não vai ser o banco Itaú e nem gestor de passagem que vai dizer como o Sindicato vai agir e se comportar na defesa dos trabalhadores e trabalhadoras”.

O Itaú afronta a organização coletiva dos trabalhadores e valoriza uma postura autoritária, incompatível com qualquer compromisso democrático no ambiente de trabalho. Trata-se de uma prática antissindical explícita, que será denunciada e combatida com firmeza.

A mobilização também denunciou o avanço do desmonte promovido pelos bancos sobre o atendimento presencial e as condições de trabalho da categoria. No caso do Bradesco, a agência 3516, na Conselheiro Franco, também foi alvo do protesto, dentro de uma campanha que denuncia o fechamento de unidades, os cortes de pessoal e a lógica de redução de custos sustentada mesmo diante de lucros bilionários. O banco encerrou 2025 com lucro líquido recorrente de R$ 24,652 bilhões, e a projeção para 2026 é de R$ 27,5 bilhões. Ainda assim, mantém um plano agressivo de enxugamento da estrutura, com 342 agências fechadas entre junho de 2024 e junho de 2025, previsão de encerramento de mais 600 a 700 postos de atendimento em 2026 e 2.466 demissões apenas em 2025.

Na Bahia, essa política já afeta diretamente pelo menos 26 localidades que perderam suas agências físicas, comprometendo o acesso da população ao atendimento presencial. No interior, onde o serviço bancário segue sendo essencial, o fechamento de unidades significa exclusão, filas, dificuldade de acesso e abandono. A chamada digitalização, apresentada pelos bancos como avanço, não atende a realidade da maioria dos usuários e tem sido usada como justificativa para reduzir custos às custas dos trabalhadores e dos clientes.

No Itaú e Bradesco, essa política também aprofunda a precarização do trabalho bancário. Com menos funcionários, menos agências e mais pressão por resultados, os trabalhadores que permanecem convivem com metas abusivas, sobrecarga, adoecimento e perda de qualidade de vida. O resultado é sentido tanto por quem trabalha quanto por quem depende do serviço, em um cenário de piora das condições laborais e deterioração do atendimento.

Não há qualquer justificativa para que bancos que acumulam lucros bilionários sigam fechando unidades, demitindo trabalhadores e, no caso do Itaú, ainda adotem práticas de repressão à atividade sindical. O que está em curso não é modernização, mas um projeto de retirada de direitos, enfraquecimento da organização dos trabalhadores e abandono do compromisso social que deveria orientar o sistema bancário.

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