NOTÍCIAS - 09/09/2026
Bancários da Caixa e do Banco do Brasil iniciam greve nesta quinta (10) em Feira de Santana

Os empregados da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil da base do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana iniciam, nesta quinta-feira (10/09), greve por tempo indeterminado. A mobilização faz parte da Campanha Nacional dos Bancários 2026 e ocorre após a rejeição das propostas apresentadas pelos dois bancos para renovação dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs).
A decisão foi tomada nas assembleias realizadas entre os dias 3 e 4 de setembro. Em Feira de Santana, 94,20% dos empregados da Caixa rejeitaram a proposta do banco, enquanto, no Banco do Brasil, a rejeição chegou a 78,65%. Os trabalhadores também aprovaram a deflagração da greve.
A paralisação desta quinta é mais um capítulo da mobilização da categoria em 2026. No último dia 20 de agosto, bancários de Feira de Santana já haviam realizado uma paralisação de 24 horas, aprovada por 96,50% dos participantes da assembleia. Na ocasião, a mobilização atingiu a categoria bancária de forma mais ampla e teve como objetivo pressionar por avanços nas negociações da Campanha Nacional.
Agora, com a proposta geral da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) aprovada na maior parte das bases, o impasse se concentra principalmente nas negociações específicas dos bancos públicos.
Saúde Caixa está no centro da rejeição na Caixa
Na Caixa, um dos principais motivos para a greve é a proposta apresentada para o Saúde Caixa. O banco propôs uma mudança significativa no modelo de custeio do plano.
Para os empregados da ativa, a contribuição do titular passaria a variar conforme a faixa etária, começando em 2,7% da remuneração-base e chegando a 4,5%. Os dependentes também passariam a ter mensalidades diferenciadas pela idade, entre R$ 480 e R$ 660.
Para aposentados e pensionistas, a contribuição do titular subiria dos atuais 3,5% para 4,5% da remuneração-base, enquanto a mensalidade por dependente passaria de R$ 480 para R$ 660. O teto de comprometimento da renda familiar, atualmente em 7%, subiria para 9% da remuneração-base. A proposta também estabelece um piso de R$ 50 por usuário, mesmo quando o grupo familiar atingir o limite previsto.
Outra mudança envolve a coparticipação. O teto anual por grupo familiar passaria de R$ 3.600 para R$ 4.800, enquanto o valor cobrado em atendimento de pronto-socorro subiria dos atuais R$ 75 para R$ 150. Teleconsultas, internações e tratamentos oncológicos continuariam isentos de coparticipação.
A proposta ainda prevê recadastramento anual dos beneficiários e abertura de um período de 90 dias para que empregados atualmente fora do Saúde Caixa possam aderir novamente. Depois desse prazo, quem deixar o plano não poderia retornar posteriormente, diferentemente da regra atualmente existente.
Por outro lado, a Caixa informou que pretende colocar aproximadamente R$ 543 milhões para ajudar no equacionamento do resultado do Saúde Caixa em 2026 e iniciar, depois das restrições do período eleitoral, os procedimentos para ampliar, em 2027, o atual limite de participação do banco, hoje correspondente a 6,5% da folha. Uma elevação para 8%, segundo estimativas apresentadas pela empresa, representaria aproximadamente R$ 600 milhões adicionais.
Também houve encaminhamentos para a criação de um grupo de trabalho destinado a discutir Plano de Funções Gratificadas (PFG), Plano de Cargos e Salários (PCS), Processos Seletivos Internos (PSIs) e remuneração variável, além de reuniões específicas sobre os modelos Figital e Genesys.
Apesar desses pontos, a proposta foi rejeitada por ampla maioria. Para a representação dos trabalhadores, as mudanças no Saúde Caixa aumentam o peso financeiro do plano para empregados, aposentados e pensionistas e enfraquecem princípios históricos como solidariedade, mutualismo e pacto intergeracional. A Feebbase orientou a rejeição por considerar que os avanços registrados em outros pontos não compensam as perdas previstas no plano de saúde.
A rejeição ocorreu em escala nacional. Segundo a Fenae, a proposta da Caixa foi rejeitada em 128 bases sindicais, sendo que 93 delas aprovaram greve por tempo indeterminado a partir de 10 de setembro.
Nesta quarta-feira (9), a Caixa convocou a Contraf-CUT e a Comissão Executiva dos Empregados para uma nova reunião de negociação, após o resultado das assembleias. Até o fechamento desta matéria, as informações oficiais consultadas mantinham a organização da greve para esta quinta-feira.
BB manteve proposta mesmo após reabrir negociação
No Banco do Brasil, a proposta específica contém avanços em algumas cláusulas sociais, mas foi considerada insuficiente por grande parte dos funcionários, especialmente pela falta de respostas mais amplas para a pauta econômica.
Entre os pontos apresentados pelo banco está um reconhecimento financeiro de R$ 3 mil, vinculado à Campanha de Adimplência 2026. Segundo o BB, cerca de 71,5 mil funcionários lotados em áreas de negócio e apoio estariam no público-alvo, desde que o indicador estabelecido seja alcançado. Funcionários de áreas táticas e estratégicas não estariam incluídos nesse pagamento.
Na Cassi, o BB propôs o adiantamento de R$ 360 milhões da contribuição patronal ao Plano de Associados, com o objetivo de preservar as reservas do plano enquanto são discutidas alternativas para o custeio. O banco também assumiu compromisso de realizar estudos para revisão dos critérios do Plano de Carreira e Remuneração, com encaminhamento às instâncias responsáveis até o primeiro semestre de 2027.
Entre outros pontos, a proposta prevê a ampliação da licença-paternidade de 20 para 35 dias, aumento do auxílio para filhos com deficiência de R$ 760,48 para R$ 874,55, revisão da remuneração dos atendentes da Central de Relacionamento, cujo salário de referência passaria de R$ 4.795,12 para R$ 6.302,77 a partir de janeiro de 2027, além de novas medidas relacionadas às pessoas com deficiência, ações afirmativas e proteção de trabalhadoras vítimas de violência doméstica.
Mesmo com esses pontos, a proposta final frustrou a expectativa dos funcionários. Segundo a Feebbase, o banco apresentou respostas para apenas parte da pauta econômica, enquanto os trabalhadores aguardavam propostas concretas para um conjunto mais amplo das reivindicações específicas.
Depois da rejeição registrada nas assembleias, o Banco do Brasil voltou à mesa de negociação nesta terça-feira (8). Entretanto, não apresentou novos itens e reafirmou que havia chegado ao limite da proposta. A direção do banco atribuiu essa posição, entre outros fatores, às restrições impostas pela legislação eleitoral às empresas estatais.
A retomada da mesa, portanto, não produziu o avanço esperado pelos trabalhadores. Em plenária realizada com funcionários do BB dos sindicatos do interior da Bahia, a avaliação foi de que a reunião havia frustrado as expectativas e a orientação foi reforçar a mobilização para a greve desta quinta-feira.
Em Feira de Santana, a proposta do Banco do Brasil havia sido rejeitada por 78,65% dos participantes das assembleias dos dias 3 e 4 de setembro.
BNB aprova ACT e fica fora da greve
O Banco do Nordeste inicialmente também faria parte da greve. Nas assembleias realizadas entre as 19h do dia 3 de setembro e as 12h do dia 4, os empregados do BNB de Feira de Santana rejeitaram a proposta do banco por 71,43% dos votos e aprovaram a paralisação por tempo indeterminado.
O cenário, entretanto, mudou nesta semana. Depois da aprovação da proposta do BNB em um número expressivo de bases sindicais do país, a Feebbase orientou a realização de novas plenárias e assembleias na Bahia e em Sergipe para reavaliar o acordo. A avaliação foi de que uma greve restrita a poucas bases teria seu poder de pressão reduzido.
Em Feira de Santana, a nova votação ocorreu entre as 20h desta terça-feira (8) e as 11h desta quarta-feira (9). Desta vez, 73,3% dos funcionários do BNB aprovaram a proposta para renovação do ACT. Com o resultado, a greve foi suspensa e as unidades do Banco do Nordeste funcionarão normalmente nesta quinta-feira.
Mobilização continua na Caixa e no BB
Com a saída do BNB do movimento, a greve em Feira de Santana fica concentrada nos empregados da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
A paralisação ocorre depois de meses de negociação e de uma primeira mobilização nacional realizada em 20 de agosto. Para os trabalhadores, a greve é uma forma de pressionar os dois bancos a retomarem as mesas com propostas capazes de responder aos pontos que permaneceram sem acordo.
Na Caixa, o principal impasse está relacionado ao futuro e ao custeio do Saúde Caixa, além das demandas por carreira, remuneração e condições de trabalho. No Banco do Brasil, a cobrança é para que a reabertura das negociações resulte em avanços efetivos, especialmente na pauta econômica, após a direção do banco manter praticamente a mesma proposta apresentada antes das assembleias.
A mobilização começa nesta quinta-feira, 10 de setembro, e os próximos passos dependerão dos desdobramentos da greve e das negociações.
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