NOTÍCIAS - 04/09/2026

Bancários de Feira aprovam proposta da Fenaban; trabalhadores dos bancos públicos rejeitam CCT e ACTs e aprovam greve

Os bancários e bancárias da base do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana concluíram, nesta sexta-feira (04/09), a votação da assembleia da Campanha Nacional 2026. No resultado geral, a categoria aprovou a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2028. Nos bancos públicos, entretanto, os trabalhadores do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste rejeitaram tanto a proposta da CCT da Fenaban quanto os Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) específicos de cada instituição e aprovaram greve por tempo indeterminado.

A votação ocorreu de forma virtual, entre as 19h de quinta-feira (03/09) e as 12h desta sexta-feira. A assembleia colocou em análise a proposta geral da Fenaban e, no caso dos bancos públicos, também as propostas específicas apresentadas pelo BB, Caixa e BNB.

Na votação geral da proposta da Fenaban, a renovação da CCT foi aprovada por 62,67% dos participantes, enquanto 37,33% votaram pela rejeição. Não houve abstenções. O resultado geral, no entanto, não representa a posição dos trabalhadores dos bancos públicos, que rejeitaram a CCT juntamente com seus respectivos ACTs específicos.

A proposta aprovada pela maioria da categoria é resultado de 13 rodadas de negociação e prevê, em 2026 e novamente em 2027, reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de 0,6% de aumento real. O índice será aplicado aos salários e às demais verbas econômicas, incluindo vale-alimentação, vale-refeição, pisos salariais, auxílio-creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), tanto na regra básica quanto na parcela adicional.

A proposta também garante a manutenção dos direitos já previstos na Convenção Coletiva e incorpora avanços em temas relacionados às condições de trabalho. Entre eles estão a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, previsto na NR-1; ampliação do canal de combate ao assédio moral e sexual para denúncias envolvendo atos praticados por clientes; limites e maior transparência no monitoramento digital dos trabalhadores; e garantia do direito à desconexão, para que bancários não sejam obrigados a responder demandas profissionais de gestores ou clientes fora da jornada de trabalho.

Também foram negociadas medidas de proteção aos trabalhadores atingidos pelo fechamento de agências, com programa de requalificação e recolocação profissional e previsão de indenização adicional nos casos abrangidos. A proposta ainda assegura o abono da paralisação nacional realizada em 20 de agosto nas bases que aprovaram a CCT.

A construção dessa proposta ocorreu após forte mobilização da categoria. Nas rodadas anteriores, a Fenaban chegou a apresentar índices abaixo da inflação, congelamento de verbas e propostas de retirada de direitos. Em 25 de agosto, por exemplo, os bancos apresentaram reajustes de 2,06% e, posteriormente, 2,57%, ambos rejeitados pelo Comando Nacional. Entre os pontos então colocados na mesa estavam congelamento da PLR e do piso de ingresso e retirada de direitos previstos na CCT. A pressão dos trabalhadores levou à retirada desses ataques e à apresentação da proposta final com reposição integral da inflação, ganho real e preservação dos direitos.

 

Bancos públicos rejeitam CCT e acordos específicos e aprovam greve

Nos bancos públicos, o resultado da assembleia demonstrou a insatisfação dos trabalhadores tanto com a proposta geral negociada com a Fenaban quanto com os acordos específicos apresentados pelas instituições. Os funcionários do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste rejeitaram a CCT e seus respectivos ACTs e aprovaram a deflagração de greve por tempo indeterminado.

Na Caixa Econômica Federal, a rejeição foi expressiva: 94,20% dos participantes votaram contra a CCT e o ACT específico e pela greve. Apenas 4,91% votaram pela aprovação e 0,89% se abstiveram.

Entre os principais pontos de preocupação está o Saúde Caixa. A proposta apresentada altera o modelo de custeio do plano. Para empregados da ativa, a contribuição do titular passaria a variar de 2,7% a 4,5% de acordo com a idade; os dependentes teriam cobrança entre R$ 480 e R$ 660; e o teto familiar subiria de 7% para 9% da remuneração-base. Para aposentados e pensionistas, a contribuição do titular seria de 4,5%, com cobrança de R$ 660 para dependentes e teto familiar também de 9%. A proposta prevê ainda aumento da consulta em pronto-socorro de R$ 75 para R$ 150 e elevação do limite anual de coparticipação familiar de R$ 3.600 para R$ 4.800.

No Banco do Brasil, 78,65% dos participantes rejeitaram a CCT e o ACT específico e aprovaram a greve. Outros 20,22% votaram pela aprovação e 1,12% se abstiveram. Apesar de medidas apresentadas pelo banco, como compromissos relacionados à Cassi e ao Plano de Carreira e Remuneração, a maioria dos funcionários decidiu que as propostas não atendem suficientemente às reivindicações apresentadas ao longo da campanha. Entre os pontos apresentados estavam o adiantamento de R$ 360 milhões da contribuição patronal para a Cassi e estudos para revisão dos critérios do Plano de Carreira e Remuneração.

No Banco do Nordeste, a rejeição da CCT e do ACT específico alcançou 71,43%, com aprovação da greve. Outros 21,43% votaram pela aceitação das propostas e 7,14% se abstiveram. O acordo apresentado pelo BNB incluía renovação das cláusulas atuais, manutenção da participação na mesa da Fenaban, revisão do Plano de Cargos, criação de mesa temática sobre o Plano de Funções e manutenção das regras específicas de PLR. Mesmo com esses pontos, a maioria decidiu que é necessário avançar nas reivindicações específicas do funcionalismo.

A greve aprovada pelos trabalhadores do BB, Caixa e BNB é um instrumento legítimo de pressão para que as negociações avancem. A rejeição da CCT e dos ACTs específicos demonstra que, para os funcionários dos bancos públicos, as propostas apresentadas ainda estão distantes das reivindicações construídas pela categoria.

O Sindicato dos Bancários de Feira de Santana seguirá ao lado dos trabalhadores do Banco do Brasil, Caixa e Banco do Nordeste, fortalecendo a mobilização e cobrando das instituições propostas que garantam avanços e atendam às reivindicações da categoria.

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