NOTÍCIAS - 04/08/2026

Santander improvisa quadros e submete a população a longas filas

A falta de funcionários voltou a provocar transtornos na agência do Santander localizada na Avenida Getúlio Vargas, em Feira de Santana. Segundo denúncia recebida pelo Sindicato dos Bancários, a unidade que deveria contar com nove trabalhadores, tinham apenas três e precisou receber funcionários de outras localidades para tentar cobrir ausências decorrentes de afastamentos por doença e licenças.
 
O banco deslocou um trabalhador de Jacobina, outro de Alagoinhas e um terceiro da agência Senhor dos Passos. Mesmo com esse remanejamento, o quadro permanece insuficiente para atender a demanda da população, resultando em filas extensas, demora e sobrecarga para os bancários que continuam trabalhando na unidade.
 
Na entrada da agência, o Santander mantém um contingenciamento que limita o acesso dos clientes. Com isso, idosos, pessoas com deficiência, cidadãos com comorbidades e outros usuários permanecem em filas do lado de fora, expostos. Depois de conseguirem entrar, ainda precisam enfrentar novas filas para receber atendimento.
 
A situação demonstra que o deslocamento temporário de trabalhadores não resolve o problema. Além de não garantir pessoal suficiente na agência da Getúlio Vargas, a medida retira empregados de outras unidades e transfere a sobrecarga de uma agência para outra. O banco tenta administrar a falta de funcionários por meio de improvisos, em vez de realizar contratações e manter um quadro adequado.
 
Esta não é a primeira denúncia envolvendo a agência da Getúlio Vargas. No dia 1º de julho, o Sindicato realizou uma manifestação no local para denunciar atrasos de aproximadamente quatro meses na entrega de cartões, o aumento do fluxo de clientes e a sobrecarga dos trabalhadores.
 
Na ocasião, também foi denunciado que Feira de Santana possui duas agências do Santander, mas somente uma conta com atendimento de caixa, realizado por apenas dois funcionários. A agência Senhor dos Passos já vinha tendo trabalhadores retirados para cobrir a falta de pessoal na Getúlio Vargas, sem que o banco apresentasse uma solução definitiva. 
 
A precarização do atendimento contrasta com os resultados financeiros do Santander. O banco acumulou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 6,802 bilhões no primeiro semestre de 2026. Somente no segundo trimestre, o lucro chegou a R$ 3 bilhões. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias atingiram R$ 10,949 bilhões no semestre, enquanto as despesas com pessoal e Participação nos Lucros e Resultados caíram 2,5%, somando R$ 6,122 bilhões. Em apenas 12 meses, a holding Santander eliminou 6.591 postos de trabalho, sendo 2.334 somente no primeiro semestre de 2026. No mesmo período, foram fechadas 178 agências e 179 postos de atendimento bancário. Enquanto reduz funcionários e unidades, o banco ampliou sua base em 3,5 milhões de clientes, chegando a 72,3 milhões. O resultado dessa política é sentido diariamente por trabalhadores e clientes: mais filas, atendimento precário, pressão por produtividade, sobrecarga e adoecimento. O Santander não pode utilizar os afastamentos por doença como justificativa para aumentar ainda mais a carga de trabalho de quem permanece nas agências.
 
O Sindicato dos Bancários de Feira de Santana exige a recomposição imediata do quadro da agência da Avenida Getúlio Vargas, com a contratação de funcionários em número suficiente para garantir condições dignas de trabalho e atendimento adequado à população.
 
Não é aceitável que um banco com lucro bilionário obrigue idosos, pessoas com deficiência e cidadãos adoecidos a permanecerem em filas do lado de fora, enquanto reduz empregos e economiza justamente às custas dos trabalhadores e clientes. O Sindicato exige a recomposição imediata do quadro. Caso o Santander não apresente uma solução, o Sindicato irá paralisar o atendimento da agência em defesa dos trabalhadores e da população.

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