Novos termos expõem desgaste no trabalho, mas não resolvem os limites da saúde mental

A saúde mental tem ganhado mais visibilidade no mundo do trabalho, especialmente com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a exigir das empresas a identificação e a gestão dos riscos psicossociais. Nesse contexto, expressões como burn in, rust out, quiet quitting e quiet cracking se popularizaram para explicar diferentes formas de sofrimento emocional e esgotamento profissional. No entanto, o uso desses termos nem sempre contribui para enfrentar o problema em sua raiz.
As novas nomenclaturas ajudam a nomear sintomas cada vez mais presentes no cotidiano laboral. O burn in está relacionado à autocobrança excessiva e ao perfeccionismo, enquanto o rust out expressa a perda de sentido e o esvaziamento do trabalho. Já o quiet quitting descreve trabalhadores que se limitam a cumprir o básico da função, e o quiet cracking retrata situações em que a pessoa segue trabalhando, mas já está emocionalmente exausta. Apesar disso, esses conceitos tendem a individualizar o adoecimento, desviando o foco das condições de trabalho que o provocam.
Ao tratar o sofrimento como um problema pessoal, muitas empresas deixam de discutir fatores estruturais como metas abusivas, sobrecarga, assédio, falta de reconhecimento e insegurança no emprego. Esse cenário contribui para que trabalhadores evitem falar sobre suas dificuldades, seja por medo de estigmatização, seja por receio de prejuízos à carreira. A ausência de ambientes seguros e acolhedores faz com que o sofrimento mental permaneça invisível.
A partir deste ano, com a entrada em vigor efetiva da NR-1, as organizações serão obrigadas a incluir os riscos psicossociais na gestão de saúde e segurança do trabalho. No entanto, especialistas e entidades sindicais alertam que apenas cumprir a norma não será suficiente se não houver mudança real na cultura organizacional. Promover saúde mental exige enfrentar as causas do adoecimento, garantindo condições dignas de trabalho, valorização profissional e respeito aos limites humanos.
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