NOTÍCIAS - 20/02/2026

Brasil e a pandemia da exaustão

O avanço silencioso do adoecimento mental no país já não pode ser tratado como estatística fria. O anúncio do Ministério da Saúde sobre um curso de 20 horas para capacitar equipes da APS (Atenção Primária à Saúde) no atendimento de casos leves de depressão e ansiedade revela a dimensão de uma crise que transbordou os consultórios especializados e chegou ao limite do sistema público.

 

Dados da Organização Mundial da Saúde confirmam o cenário alarmante: o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 9,3% da população, cerca de 18,6 milhões de pessoas, vivendo com transtornos de ansiedade. Também lidera os índices de depressão na América Latina, com 546 mil afastamentos do trabalho registrados em 2023 e 2025. Não se trata apenas de saúde, mas de uma engrenagem econômica que adoece quem trabalha.

 

Classificar casos como “leves” não diminui o peso de noites sem sono, crises de pânico e esgotamento extremo. A sobrecarga do SUS é consequência direta de anos de subfinanciamento e da ausência de políticas estruturais de prevenção, enquanto empresas mantêm metas inalcançáveis e ambientes de trabalho adoecedores.

 

A capacitação na atenção básica é necessária, mas insuficiente diante de um modelo que produz exaustão em escala. Sem enfrentamento das causas estruturais, precarização, pressão permanente por resultados e retirada de direitos, o país continuará tratando sintomas enquanto a raiz do problema permanece intocada. 

 

Fonte: SEEBBA

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